Um pouco de história...A cana-de-açúcar (Saccharum L. e seus híbridos) é, talvez, o único produto de origem agrícola destinado à alimentação que, ao longo dos séculos, foi alvo de disputas e conquistas, mobilizando pessoas e nações. Não se sabe bem ao certo de onde ela veio, mas a maioria das referências históricas indica que teriam sido os povos das ilhas do sul do Pacífico, há mais de vinte mil anos, que descobriram as propriedades desta planta, a qual crescia espontaneamente nas suas terras.
Foi na atual Nova Guiné em que se supõe que ela tenha sido cultivada pela primeira vez. Teriam sido os indianos o primeiro povo a extrair o “suco da cana” e a produzir, pela primeira vez, o “açúcar bruto”, por volta do ano quinhentos antes de Cristo. Não é por acaso que seu nome é originário do sânscrito çarkara, que significa “grão” e do qual vai derivar o nosso “açúcar”, sukkar para os árabes, saccharum em latim, zucchero em italiano, seker para os turcos, zucker para os alemães, sugar em inglês, sucre em francês e azúcar em espanhol.
O desembarque da cana-de-açúcar na Europa Oriental aconteceu no século IV a.C., fruto das viagens e conquistas de Alexandre Magno, desde a Macedônia até a Ásia. Dos gregos, o Império Romano herdou aquele a que chamavam de “sal indiano”, muito apreciado pelas suas propriedades gastronômicas e medicinais. Mas foram os árabes os responsáveis pelo início da produção de açúcar sólido ao longo do mediterrâneo, arte aprendida com os persas. No século VII, a cultura do açúcar chegava, assim, ao Chipre, a Creta, a Rodes e a todo o Norte de África, embora com uma adaptação ao solo e ao clima variável. No século XII, as tentativas de cultivo estenderam-se às regiões da Grécia, do Sul de Itália e França, mas a produção continuou a ser muita reduzida. Por isso, o açúcar permanecia um produto medicinal e de luxo, vendido nos boticários, ao alcance de poucos.
Nessa altura, eram os mercadores venezianos os principais intermediários desse comércio: compravam o açúcar na Índia e vendiam-no a quem podia pagar por esta raridade gastronômica. Paralelamente, a descoberta do “Novo Mundo” inseriu a última mudança na história da introdução do açúcar em nossas mesas. Por sorte, o navegador Cristóvão Colombo possuía uma plantação de cana-de-açúcar e, antes de se casar, trabalhava transportando açúcar para a cidade de Gênova, na Itália, proveniente das plantações de cana na Ilha da Madeira. Isso tudo, provavelmente, fez com que ele tivesse a idéia de levar um pouco de cana-de-açúcar para o Caribe, em sua segunda viagem ao “Novo Mundo” no ano de 1493.
No novo continente, a cana encontrou excelentes condições para se desenvolver e não foram precisos muitos anos para que, em praticamente todos os países recém-colonizados, os campos se enchessem de cana-de-açúcar. Seguiu-se uma época de grande prosperidade para a cultura e comercialização deste produto, protagonizada por portugueses e espanhóis, com especial destaque para as plantações aqui no Brasil. A cobiçada especiaria ganhou mesmo honras de metal precioso. Chamavam-lhe de “o ouro branco”, tal era a fortuna que gerava.
A exploração dos escravos, que se praticou desde o século XVI até princípios do século XIX, viabilizou a expansão da indústria do açúcar de uma forma irreversível, com plantações praticamente em todo o mundo, desde as Índias Ocidentais às Américas. Mais popularizado, principalmente para adoçar as novas bebidas, também de origem “exótica” como café e chá, o açúcar conhece um maior consumo, embora ainda mais presente no círculo restrito das classes abastadas. Para conferir um mapa que resume a história do açúcar, clique aqui.
Hoje, o maior produtor de açúcar é o Brasil, seguido pela União Européia (EU – European Union), Índia e China, conforme podemos visualizar na Figura 1. O açúcar tornou-se um alimento comum à dieta de todos os países, constituindo uma fonte de energia de fácil e rápida assimilação. Além disso, o sabor doce é um dos mais apreciados pelo ser humano, o que torna o açúcar um dos alimentos capazes de oferecer momentos de bem-estar e prazer.
Fonte:http://www.ciadaescola.com.br/zoom/materia.asp?materia=291&pagina=1#materia
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